Por Ramiro Valdez
As esquinas são as quinas vazias
Das quadras de sofrimento
Onde se esquivam cabecinhas aflitas
Em mares de sentimento
O crânio lateja, o ponto de tensão; enxaqueca
Dentro: água insolúvel na frieza das entranhas
Fora: areia seca, indiferença alheia
Caos: afogam-se as cabecinhas na áspera solução estranha
Tateando a imensidão do vácuo à cata de flores
Mãos trêmulas, boca seca, olhos perdidos,
As cabecinhas buscam os mais puros odores
Na sujeira asséptica das ruas: horizontes esquecidos
As ruas, vendáveis vias, de quina a quina conduzem
O bovino rebanho da urbe; caótico, arrítmico
Na ilusão do pão de cada dia, e aos olhos cansados seduzem
Com letreiros e vitrines: - Compre flores de artifício!
E as cabecinhas correm-mentem-matam pelo perfume artificial
Tentam levar o trem na frente dos trilhos
Ignoram que na selva de pedra não há equilíbrio natural
E em seus solos de concreto não nascem lírios.