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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Os Lírios

Da série "Flores Urbanas"

Por Ramiro Valdez

As esquinas são as quinas vazias

Das quadras de sofrimento

Onde se esquivam cabecinhas aflitas

Em mares de sentimento


O crânio lateja, o ponto de tensão; enxaqueca

Dentro: água insolúvel na frieza das entranhas

Fora: areia seca, indiferença alheia

Caos: afogam-se as cabecinhas na áspera solução estranha


Tateando a imensidão do vácuo à cata de flores

Mãos trêmulas, boca seca, olhos perdidos,

As cabecinhas buscam os mais puros odores

Na sujeira asséptica das ruas: horizontes esquecidos


As ruas, vendáveis vias, de quina a quina conduzem

O bovino rebanho da urbe; caótico, arrítmico

Na ilusão do pão de cada dia, e aos olhos cansados seduzem

Com letreiros e vitrines: - Compre flores de artifício!


E as cabecinhas correm-mentem-matam pelo perfume artificial

Tentam levar o trem na frente dos trilhos

Ignoram que na selva de pedra não há equilíbrio natural

E em seus solos de concreto não nascem lírios.