sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Uma História em Comum - Parte II
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Uma História em Comum - parte I
O Serumano nasceu há milhares de anos de uma família que vivia na mais perfeita harmonia: seu Pai Universo, sua Mãe Natureza e seu Irmão Seres. Ele, por acasos do Pai Universo e de sua Mãe Natureza, alimentou-se melhor que seu Irmão Seres. Por conta disso tinha mais tempo para pensar e assim desenvolveu seu intelecto, sua inteligência e sua capacidade para formular conceitos os quais guardava dentro da sua memória de milhares de gigas. Seus conceitos serviam-lhe como paradigmas para seu método empírico de interação com os recursos de sua Mãe (Natureza), que por sua vez, como toda boa Mãe, além de cuidar muito bem da casa (Planeta Terra), somente dava amor incondicional aos filhos. Dessa forma o audacioso e desnaturado Serumano foi capaz de exercer controle absoluto sobre o poder herdado por seus pais. Desempenhou façanhas inacreditáveis ao longo de muitos anos. Ele mesmo, por ser o único criador de conceitos do Mundo (sua casa), denominava suas façanhas ao longo do tempo de “evolução e desenvolvimento”. Quanto a seu irmão: ele ocupava-se em viver em harmonia e desfrutar do aconchego e carícias da Mãe – e Serumano simplesmente o estudava também por seu próprio método. Constatou que ele não havia concebido sua capacidade singular de raciocínio e que por isso Seres não se incomodaria se fosse usado em prol do seu conceito de “evolução e desenvolvimento” que passara a valorar como aspecto preponderante de sua casa (Terra). E seu Pai? Ah, vocês não conhecem o velho Universo? Ele tem seu próprio método de ensino misterioso e indiferente, além disso, ele é muito ocupado com trabalhos maiores para preocupar-se tanto com as picuinhas do pequeno filhinho.
Tudo corria muito bem na vida de Serumano, no entanto, como todo filho que quer superar seus pais, ele acreditava que já tinha desvendado todos os mistérios concernentes aos céus e à terra e que era capaz de gerir os recursos herdados de forma mais inteligente. Afinal, ele era o único dotado desta impressionante habilidade. Começou então a fazer reformas na casa toda. Acreditava que sua tecnologia traria a solução dos problemas de todos. Criou centros de civilização e cultura (que ele chamava de cidades), novos meios de transporte, novos meios de produção, transação, comunicação.
Da pecuária à pecúnia, o ainda novo Serumano foi inegavelmente um gênio. No entanto ao longo de todo esse tempo de dedicação intelectual ele perdeu o contato com a sua família. Consumiu-se em sua própria mente e projetos e esqueceu tudo o que seus pais haviam lhe ensinado de maneira sutil. Sua cegueira mental não permitia que ele compreendesse a complexa teia harmônica, natural, sustentável e perfeita criada por Universo e Natureza. Sua ambição e arrogância fizeram-lhe acreditar que poderia construir um mundo conforme seu pensamento. O que ele não havia percebido é que seu pensamento não dava conta de pensar todas as repercussões de todos os seus atos em um futuro distante. Ele deu-se conta de que estava frente a um cálculo matemático incalculável - sua mente não era preparada para tanto.
Serumano viu toda sua tecnologia ruir e pela primeira vez experimentou um castigo da mãe. Natureza foi desconstruindo toda imundice que ele deixara espalhada pelo Mundo como uma mãe que tem de juntar os brinquedos do filho incapaz. Serumano na verdade deslumbrou-se consigo mesmo e brincou com os recursos dos pais como um tolo narcísico até deparar-se com sua própria infantilidade bestial. Na sua mente – um mundo a parte – começava um grande espetáculo teatral que figurava, de um lado: um anjo ariano; do outro: u Dimônio, CRIANÇAS! É, isso mesmo, o Dimônio existe na dualidade maniqueísta subdesenvolvida do nosso inconsciente coletivo, gente.
CONTINUA...
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Os Lírios
Por Ramiro Valdez
As esquinas são as quinas vazias
Das quadras de sofrimento
Onde se esquivam cabecinhas aflitas
Em mares de sentimento
O crânio lateja, o ponto de tensão; enxaqueca
Dentro: água insolúvel na frieza das entranhas
Fora: areia seca, indiferença alheia
Caos: afogam-se as cabecinhas na áspera solução estranha
Tateando a imensidão do vácuo à cata de flores
Mãos trêmulas, boca seca, olhos perdidos,
As cabecinhas buscam os mais puros odores
Na sujeira asséptica das ruas: horizontes esquecidos
As ruas, vendáveis vias, de quina a quina conduzem
O bovino rebanho da urbe; caótico, arrítmico
Na ilusão do pão de cada dia, e aos olhos cansados seduzem
Com letreiros e vitrines: - Compre flores de artifício!
E as cabecinhas correm-mentem-matam pelo perfume artificial
Tentam levar o trem na frente dos trilhos
Ignoram que na selva de pedra não há equilíbrio natural
E em seus solos de concreto não nascem lírios.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
A Caverna - Parte 2
terça-feira, 5 de julho de 2011
A Rosa
Por Ramiro Valdez
segunda-feira, 4 de julho de 2011
O Eterno Presente - Parte 2
Guerreiro: Pois saibas, ó peregrino desocupado, que, diferente de vossa senhoria, o jovem guerreiro aqui possui muitas responsabilidades, encargos reais, negócios para gerir, armaduras novas para comprar, espadas para afiar, botas velhas para trocar! Não há tempo para parar e se preocupar com coisas tão banais e simplórias como uma mísera flor! Já que gostas, também te ensinarei algo sobre filosofia então, ó respeitável caminhante! A vida é curta! Os anos estão passando cada vez mais rápido! Veja senhor, já é sexta-feira de novo! E já estamos quase na metade do ano! Não percebes que o tempo voa? Trate de acordar para o mundo e aproveitar a vida ao máximo! E mais, faça-o enquanto ainda há tempo!
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| Salvador Dali |
terça-feira, 28 de junho de 2011
A Caverna
A alegoria platônica da caverna é uma das mais conhecidas e populares de toda filosofia. Está contida dentro do famoso “A República” em forma de uma conversa protagonizada por Sócrates. A historinha socrática já foi estudada e debatida à exaustão e existem toneladas de interpretações e conclusões tiradas em cima deste singelo diálogo. Os livros “1984” de George Orwell, “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, e mesmo a série de filmes “The Matrix” exploram questões nascidas deste mito, mais de dois mil anos depois de seu surgimento. E, no entanto, não transcendemos esta caverna ainda.
Correto, porém simplório.
O mito da caverna é mais precisamente sobre a ilusão da diferença entre ondas e partículas e a ilusão da tridimensionalidade.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Kuarashí - Significa Sol.
Em um dia dentre os muitos dias eternos da vida de Atiara, ela foi até o rio para banhar-se. Naquele dia especialmente ela percebeu que a corrente do rio estava bastante vigorosa, mesmo assim sentiu-se segura para adentrar poucos passos na margem. Foi o tipo do ato que fazemos sem pensar, quase como se todo o Universo conspirasse para que você fosse irremediavelmente tragado até tal situação. Quando menos esperava, a indiazinha escorregou em um passo incerto que dera já voltando do seu banho matinal sendo arrastada por alguns metros. Então, repentinamente, uma mão gigante veio dos céus e segurou a pequena mãozinha de Atiara com as pontas dos dedos enormes. Infelizmente a tentativa fora inexitosa tendo a indiazinha sido tragada de vez pela situação do grande Universo. No meio da confusão das correntezas turbulentas que perpassavam por todos os lados da consciência de Atiara, ela somente conseguia se concentrar na visão que tivera da mão gigante que a segurou por poucos instantes. Afinal:
-O quê seria aquilo?



