No post passado, vimos que os cientistas envolvidos em pesquisas de ponta estão buscando meios de provar que nosso Universo talvez tenha mais dimensões. Essas dimensões extras validariam os modelos matemáticos recentes sobre a real estrutura do Universo. Pretendem assim demonstrar que o que o que pensávamos serem partículas e ondas em nível subatômico são um outro tipo de substância ("blocos fundamentais") que compõe tanto as ondas como as partículas e, dependendo de como vibram, manifestam-se como uma ou outra. Isso unificaria a matemática, física, química, biologia, etc., sob um paradigma teórico, uma teoria unificada de todas ciências.
Fiquei devendo, no entanto, uma explicação de como isso se relaciona com o Mito da Caverna platônico. Vamos lá então.
Antes de continuar, um esclarecimento se faz necessário. Poucos de nós sabemos que no período da filosofia clássica grega, as pessoas também viajavam, conheciam o mundo e trocavam experiências. Era comum que os filósofos fossem estudar fora, inclusive nas ditas Escolas de Mistérios, centros de conhecimento e estudo esotérico espalhadas por todo o mundo antigo em lugares como o Egito, por exemplo. Dessas escolas vinham muitas idéias que influenciavam todo pensamento da época e que hoje em dia os historiadores insistem em tentar ocultar da cronologia do raciocínio filosófico e cientifico. Isso é lamentável, pois perde-se toda a real dimensão do pensamento desses antigos filósofos e cientistas. Uma das principais vertentes filosóficas e científicas que já buscava (muito antes do aparecimento dos gregos) explicações para os fenômenos do Universo era justamente o Hermetismo, estudado nas referidas Escolas de Mistérios egípcias. O Hermetismo compartilha algumas similaridades com conceitos do pensamento platônico (a hipótese platônica de um ‘Mundo das Idéias’ é muito similar à ‘Lei do Mentalismo’ hermética, por exemplo). As duas vertentes possuem uma relação, no mínimo, notável. Anote no caderninho: Hermetismo. Dito isso, prossigo.
A Ilusão da Tridimensionalidade
Na alegoria platônica, pessoas acorrentadas dentro de uma caverna passam seus dias olhando para uma parede aonde projetam-se sombras (imagens bidimensionais) de objetos (tridimensionais) que passam pela frente de uma fonte de luz, os prisioneiros tomam as sombras bidimensionais como a realidade. Essas pessoas não fazem idéia de como sejam os objetos em 3D, o mundo 2D é a base de seu raciocínio, eles só crêem no mundo 2D, e apesar de tudo que passa ser apenas a mesma coisa (sombras) eles pensam que os formatos diferentes da mesma coisa (sombras) são objetos diferentes. Assim, para um prisioneiro uma sombra de uma pessoa seria uma coisa e a sombra de um cavalo seria outra, completamente diferentes.
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| Esquema da Alegoria da Caverna |
Somos exatemente como esses pobres infelizes acorrentados. Olhamos para o mundo 3D a nossa volta (4D se considerarmos a dimensão de tempo) e tomamos como fiel retrato da realidade. Mas o mundo 3D é apenas uma ‘sombra’ do verdadeiro mundo, multidimensional. Particularmente acredito que Platão sabia de tudo isso quando relatou o diálogo socrático e essa é a sua verdadeira metáfora. Sair da escuridão pra luz, OK, mas essa explicação/interpretação é rasa demais. Sair do mundo 3D para estudar a verdadeira realidade multidimensional do Cosmo me parece mais condizente com a genialidade de Sócrates. Mas como explicar para um grego de Antes de Cristo um conceito tão complexo? Só mesmo com uma alegoria desse tipo, simples e cheia de significado oculto.
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| Exemplo de uma “sombra 3D” de um hipercubo |
Agora é importante que você se dedique à compreensão, guarde 20 minutos do seu dia, convide quem estiver em volta, faça uma breve pausa para assistir ao vídeo de Brian Greene se ainda não o fez (se já assistiu ou não quer assistir [?], sugiro que use esses minutos pra comentar alguma coisa, uma reflexão, dúvida ou crítica). Este vídeo é uma explicação da Teoria das Supercordas e costura perfeitamente o conceito do post anterior de “blocos fundamentais” e o desse post de “múltiplas dimensões” à metáfora do mito. Garanto para os que leram ambos os posts e para qualquer um com um mínimo interesse nas ciências exatas, ou mesmo em filosofia, que ao final do vídeo sentirá sua mente alimentada de conceitos novos e bem interessantes.


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