Páginas

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Kuarashí - Significa Sol.

         Atiara era seu nome. Significa “Um Fio de Luz”. Ela era moreninha, doce, pura... Uma indiazinha típica (ou arquetípica) que morava às margens de um rio perdido em algum lugar na imensidão verde da floresta amazônica. Atiara vivia sozinha, e, mesmo morando em um lugar paradisíaco e cheio de vida como era sua floresta, era inevitável que, vez que outra, ela se deixasse abater pelos pesares da solidão.
         Em um dia dentre os muitos dias eternos da vida de Atiara, ela foi até o rio para banhar-se. Naquele dia especialmente ela percebeu que a corrente do rio estava bastante vigorosa, mesmo assim sentiu-se segura para adentrar poucos passos na margem. Foi o tipo do ato que fazemos sem pensar, quase como se todo o Universo conspirasse para que você fosse irremediavelmente tragado até tal situação. Quando menos esperava, a indiazinha escorregou em um passo incerto que dera já voltando do seu banho matinal sendo arrastada por alguns metros. Então, repentinamente, uma mão gigante veio dos céus e segurou a pequena mãozinha de Atiara com as pontas dos dedos enormes. Infelizmente a tentativa fora inexitosa tendo a indiazinha sido tragada de vez pela situação do grande Universo. No meio da confusão das correntezas turbulentas que perpassavam por todos os lados da consciência de Atiara, ela somente conseguia se concentrar na visão que tivera da mão gigante que a segurou por poucos instantes. Afinal:

         -O quê seria aquilo?



         Pensou Cendi em voz alta enquanto lentamente voltava a si. Sentiu a brisa no rosto; percebeu que estava com o olhar fixo nas corredeiras do rio; ainda conseguia vislumbrar em sua mente algumas cenas da sua boneca. A vida de Atiara havia sido como um sonho para Cendi.

         Cendi era uma menininha de 7 anos, moradora de uma comunidade ribeirinha. Ela foi diagnosticada aos 5 anos com autismo profundo. A pequena Cendi tinha o costume de escolher apenas uma boneca para brincar e assim permanecia por horas imersa na intensidade de suas criações imaginativas. Ela acreditava piamente que era a própria boneca com que brincava. Sentia a dor da morte quando perdia uma bonequinha sua, pois para ela era mais uma vida que se ia... No entanto, a cada boneca perdida Cendi deparava-se com a perpetuidade de sua existência - deparava-se consigo mesma - e aquilo sempre a acalentava. Ela se lembrava de suas condições por causa do autismo mas sentia-se profundamente feliz por não ter morrido, não é? Sim! Ela estava viva e ficava feliz por isso, como quando acordamos daqueles pesadelos medonhos!
          A propósito, Cendi significa Luminosidade. E, assim como Atiara fora criada e animada por Um Fio de Luz proveniente da Luminosidade de Cendi; Cendi (e sua história), por sua vez, foram criadas por mim – Kuarashí – apenas como mais um dos raios de infinitas possibilidades provindos da Luz e da Vida imperecível que Eu SOU – O Sol – e cada um É.

         Sim, e tudo isso foi criado por mim, Yam [o Escritor (?)]. Significa Mar – o Mar de Consciência onde habita um Universo de possibilidades; que podem ser escritas, por meio dos meus dedos, materializados por Um Fio de Luz, que conecta a minha Luminosidade a Kuarashí.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente e pergunte à vontade. Suas palavras e dúvidas são muito importantes para nós.

Para tanto basta escolher uma opção da caixa "Comentar como", se não tiver cadastro em nenhuma opção escolha "Nome/URL" para incluir seu nome ou pseudônimo, ou comente como "Anônimo".